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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Gota Perversa

Do oceano onde me revia
sobrou só uma água de nada
visita-me ela todo o dia
perversa, maldosa e salgada.

Não serve para a sede matar
mas antes salga a minha vida
não parando de gotejar
faz com que a sinta mais sofrida.

Primeiro, brilha dolorosa
depois em queda copiosa
domina todo o meu querer.

Ofusca-me pois esta água
gota-forma da minha mágoa
matiz salgada do meu ser.

(Henrique Moreira)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Errare

Queria pensar sempre certo
fugir deste meu lado errado
mas o erro mora bem perto
e de coisa certa disfarçado

Errando em caminho forçado
limito o erro p´lo que é certo
mas erro sempre um bom bocado
por manter o coração aberto

De tanto errar não me acerto
há pois um erro em mim decerto
que me faz ser sempre errado

quiçá p'lo coração aberto
e assim por demais desperto
o deva então manter fechado

(Henrique Moreira - 2009)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

As Quatro Lendas do Vento

(Ouvindo os sons dos ventos, podemos ouvir as vozes dos antepassados e dos ainda não nascidos)
Dizem os antigos que os ventos
Não são mais do que os lamentos
De almas inquietas que morreram
E que se os soubermos ouvir
falam do findo e do provir
e dos que ainda não nasceram
(O vento é um espírito que testa a nossa força vital e nossos merecimentos)
Dizem ao velhos serenamente
que eles acariciam a gente
para testar o nosso vigor
Pois o espírito das ventanias
causando-nos respostas sombrias
pode em inércia virar temor
(Levantando o horizonte, derrubando homens e árvores, o vento mostra a equidade da vida)
e se o vento, em forte ventar
acabar por te derrubar
não vê nisso uma ignomínia
revela-te só o pó que és
mostrando estar sob os teus pés
a terra onde tudo volta um dia
(Ouve o vento com o coração, ele pode trazer notícias do teu amor)
que me traga o vento novas tuas
coisas de amor, não notícias cruas
para o meu amor se alimentar
e que ele em nova rotação
te leve os sons do meu coração
transformando em nada, este mar
(Henrique Moreira - 2001)